O TDAH, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, é uma condição do neurodesenvolvimento que começa na infância e, em boa parte dos casos, continua na vida adulta. Em adultos, ele costuma aparecer como dificuldade de manter a atenção, desorganização, esquecimentos, procrastinação, impulsividade e uma inquietação mais interna do que física. O diagnóstico é feito por avaliação profissional, que investiga se os sinais estão presentes desde a infância e se atrapalham a vida em mais de um contexto, como trabalho, estudos e relacionamentos.
Nos últimos anos, muitos adultos passaram a se perguntar se têm TDAH depois de ver vídeos e testes nas redes sociais. Essa curiosidade é válida e pode ser o primeiro passo para uma avaliação séria. A confirmação, porém, depende sempre de uma avaliação com profissional.
Quais são os sinais de TDAH em adultos?
Os sintomas se dividem em dois grupos: desatenção e hiperatividade com impulsividade. Uma pessoa pode ter mais sinais de um grupo, do outro ou dos dois.
Desatenção:
- dificuldade de manter o foco em tarefas longas ou pouco interessantes;
- começar várias coisas e terminar poucas;
- perder objetos com frequência, como chave, carteira e celular;
- esquecer compromissos, contas e prazos;
- se distrair com facilidade com estímulos ao redor ou com os próprios pensamentos;
- dificuldade de organizar tarefas, a casa, o tempo e as finanças;
- parecer não escutar quando falam diretamente com você;
- cometer erros por descuido em detalhes.
Hiperatividade e impulsividade:
- sensação de inquietação constante, dificuldade de relaxar;
- mexer as mãos ou as pernas, levantar muitas vezes durante reuniões;
- falar demais, interromper os outros, completar as frases das pessoas;
- impaciência com filas, esperas e conversas lentas;
- decisões impulsivas, como compras, mudanças de emprego ou término de relações;
- dificuldade de lidar com tarefas que exigem esperar.
Muitos adultos também relatam o hiperfoco: em assuntos que despertam muito interesse, a atenção fica tão concentrada que a pessoa perde a noção do tempo.
Como o TDAH aparece na vida adulta?
Na infância, a hiperatividade costuma ser mais visível. Na vida adulta, ela muitas vezes vira uma agitação por dentro: a cabeça não para, os pensamentos pulam de um assunto para outro, é difícil ficar só em uma atividade.
O impacto aparece em várias áreas:
- Trabalho: atrasos, prazos perdidos, dificuldade com tarefas burocráticas, sensação de render abaixo do potencial.
- Estudos: dificuldade de ler textos longos, de estudar sem prazo próximo, cursos começados e não terminados.
- Finanças: contas esquecidas, compras por impulso.
- Relacionamentos: o parceiro ou a parceira sente que não é ouvido, brigas por esquecimentos, impaciência.
- Emoções: irritação rápida, frustração intensa, baixa tolerância à crítica.
Com o tempo, muitos adultos com TDAH acumulam uma sensação de fracasso e passam a se ver como preguiçosos, irresponsáveis ou incapazes. Isso afeta muito a autoestima.
Por que tanta gente só descobre o TDAH depois de adulta?
Há alguns motivos comuns:
- Até pouco tempo atrás, o TDAH era associado principalmente a meninos agitados na escola. Crianças desatentas e quietas, principalmente meninas, passavam despercebidas.
- Pessoas inteligentes conseguem compensar as dificuldades por muitos anos, até que as exigências da vida adulta, como trabalho, filhos e contas, superam essa compensação.
- Os sintomas são confundidos com traços de personalidade: “ele é desligado”, “ela é avoada”.
- O diagnóstico de um filho com TDAH muitas vezes leva os pais a se reconhecerem nos mesmos sinais.
Como é feito o diagnóstico de TDAH em adultos?
O diagnóstico é clínico, ou seja, não existe exame de sangue ou de imagem que confirme o TDAH. Ele é feito por psiquiatra, neurologista ou psicólogo com formação em avaliação, a partir de:
- entrevista detalhada sobre a vida atual e a história desde a infância;
- verificação de que os sintomas começaram antes dos 12 anos;
- confirmação de que eles aparecem em mais de um contexto, como em casa e no trabalho;
- avaliação de quanto eles prejudicam a vida;
- escalas e questionários padronizados, às vezes respondidos também por familiares;
- em alguns casos, avaliação neuropsicológica, com testes de atenção, memória e funções executivas.
Uma parte importante da avaliação é descartar ou identificar outras condições que podem causar sintomas parecidos ou acontecer junto com o TDAH, como ansiedade, depressão, transtornos do sono, uso de substâncias e o autismo, que tem bastante sobreposição com o TDAH.
Testes rápidos da internet servem, no máximo, para levantar a dúvida.
TDAH ou ansiedade? E a procrastinação?
A ansiedade também prejudica a concentração e a memória, porque a mente fica ocupada com preocupações. A diferença principal é a história: no TDAH, as dificuldades existem desde a infância, mesmo em épocas tranquilas. Na ansiedade, elas costumam aparecer ou piorar em fases de estresse. Se o que pesa mais são crises de medo e aperto, o texto sobre crise de ansiedade ou ataque de pânico pode ajudar.
A procrastinação é comum no TDAH, mas também acontece por muitos outros motivos, como medo de errar, perfeccionismo e falta de sentido no que se faz. Eu escrevi sobre isso no texto sobre procrastinação e autoconhecimento.
Como a terapia ajuda quem tem TDAH?
O tratamento do TDAH em adultos costuma combinar diferentes cuidados. A medicação, quando indicada, é prescrita e acompanhada pelo psiquiatra. A psicoterapia atua em outras frentes:
- Organização prática: criar rotinas, usar agendas, alarmes e listas de um jeito que funcione para a sua forma de pensar.
- Regulação emocional: lidar com a frustração, a impulsividade e a irritação.
- Autoestima: rever a imagem de “preguiçoso” ou “incapaz” construída ao longo dos anos, entendendo o que era dificuldade real e o que era falta de apoio.
- Relacionamentos: comunicar as próprias necessidades e diminuir os conflitos causados por esquecimentos e impulsividade.
- Condições associadas: cuidar da ansiedade, da depressão e de outras questões que costumam vir junto.
Na abordagem junguiana, além dessas estratégias, a terapia olha para a história da pessoa e para o que ela construiu a partir das dificuldades. Muitos adultos com TDAH desenvolveram criatividade, rapidez de raciocínio e capacidade de improviso, e reconhecer esses recursos também faz parte do cuidado. Saiba mais sobre a psicologia junguiana.
Quando procurar ajuda?
Vale buscar avaliação e acompanhamento quando:
- as dificuldades de atenção e organização existem desde a infância e continuam atrapalhando;
- você sente que rende muito abaixo do que poderia no trabalho ou nos estudos;
- esquecimentos e impulsividade estão causando problemas financeiros ou nos relacionamentos;
- você se sente constantemente cansado de tentar dar conta;
- a autoestima está muito baixa por causa dessas dificuldades.
Perguntas frequentes sobre TDAH em adultos
TDAH pode surgir na vida adulta?
Pelos critérios atuais, os sintomas precisam ter começado na infância, mesmo que só tenham sido percebidos depois. Dificuldades de atenção que surgem só na vida adulta costumam ter outras causas, que precisam ser investigadas.
TDAH tem cura?
O TDAH é uma condição que acompanha a pessoa, mas os sintomas podem diminuir com o tempo e com tratamento. Com acompanhamento, muitas pessoas passam a viver com muito mais qualidade.
Psicólogo pode diagnosticar TDAH?
O psicólogo pode participar da avaliação, especialmente por meio da avaliação neuropsicológica. O tratamento medicamentoso, quando necessário, é feito com médico.
A terapia online funciona para TDAH?
Sim. Para muitas pessoas com TDAH, não precisar se deslocar facilita manter a regularidade das sessões. Veja como funciona a terapia online.
Quer apoio para lidar com o TDAH no dia a dia?
Eu atendo adultos de todo o Brasil por chamada de vídeo, pela abordagem junguiana. Se você se identificou com este texto, me chame no WhatsApp para conversarmos sobre o acompanhamento. Mais sobre o meu trabalho está na página inicial.