Autoestima é a forma como você se enxerga e se valoriza, o quanto se sente digno de cuidado, de respeito e de ocupar o próprio espaço. Ter autoestima baixa significa conviver com uma voz interna crítica, com a sensação de não ser suficiente e com a tendência a se comparar e a se colocar em segundo plano. Ela costuma se formar a partir das primeiras relações, na infância, e de experiências ao longo da vida, e pode ser fortalecida, principalmente com um trabalho de autoconhecimento.
Quais são os sinais de autoestima baixa?
A autoestima baixa nem sempre aparece como insegurança visível. Ela pode estar por trás de comportamentos que parecem até qualidades. Alguns sinais comuns:
- autocrítica constante e dura, que transforma qualquer erro em prova de incapacidade;
- dificuldade de receber elogios, com a sensação de que a pessoa só está sendo gentil;
- comparação frequente com os outros, principalmente nas redes sociais;
- medo intenso de errar, de ser rejeitado ou de decepcionar;
- dificuldade de dizer não e de colocar limites;
- necessidade de agradar e de ser aprovado;
- perfeccionismo, com a sensação de que nada está bom o bastante;
- sensação de ser uma fraude no trabalho, mesmo com bons resultados;
- permanecer em relações em que se é desrespeitado, por achar que não merece algo melhor;
- deixar de tentar coisas novas por medo de não dar conta.
De onde vem a autoestima baixa?
A autoestima se constrói ao longo da vida, mas as bases costumam ser formadas na infância. A criança aprende quem ela é, em grande parte, pela forma como é olhada, cuidada e tratada.
Algumas experiências que contribuem para uma autoestima frágil:
- Críticas frequentes ou comparações com irmãos e colegas. A criança passa a acreditar que nunca é boa o bastante.
- Amor condicionado ao desempenho. Quando o carinho aparece só diante de boas notas ou bom comportamento, a pessoa aprende que precisa merecer ser amada.
- Negligência emocional. Necessidades básicas atendidas, mas pouca atenção ao que a criança sente.
- Superproteção. Quando tudo é resolvido pela criança, ela pode crescer sem confiança na própria capacidade.
- Bullying e exclusão na escola ou em outros grupos.
- Experiências de discriminação, por cor, corpo, gênero, orientação sexual ou classe social. O impacto disso na autoimagem é grande, como eu discuto no texto sobre os efeitos psicológicos do racismo.
Na vida adulta, relacionamentos abusivos, fracassos importantes, demissões e longos períodos de ansiedade ou depressão também podem abalar a autoestima. Adultos que tiveram dificuldades de atenção desde cedo, como no TDAH, muitas vezes cresceram ouvindo que eram preguiçosos ou desligados, e carregam essa imagem por muito tempo.
Autoestima e educação dos filhos
Para quem é pai ou mãe, entender como a autoestima se forma ajuda a olhar para a própria forma de educar. Elogiar o esforço, acolher as emoções da criança, colocar limites com respeito e evitar comparações são atitudes que fortalecem a base emocional dela. Eu falo mais sobre esse equilíbrio no texto sobre como não criar traumas no seu filho sem ser permissivo demais.
Muitos adultos percebem a própria autoestima ferida justamente quando se tornam pais e se pegam repetindo frases que ouviram na infância. Esse momento pode ser uma boa oportunidade para cuidar das duas gerações.
Autoestima é o mesmo que amor-próprio?
Os termos são usados quase como sinônimos. Em geral, autoestima fala mais de como você avalia o próprio valor, e amor-próprio fala de como você se trata no dia a dia: se respeita os próprios limites, se cuida do corpo e das emoções, se se permite descansar.
Autoestima saudável também é diferente de se achar melhor que os outros. Pessoas que parecem muito seguras e arrogantes, às vezes, estão protegendo uma autoimagem frágil. A autoestima saudável inclui reconhecer qualidades e limites com a mesma tranquilidade.
Como fortalecer a autoestima?
Algumas práticas ajudam no dia a dia:
- Observe a sua voz interna. Repare em como você fala consigo mesmo quando erra. Pergunte-se se falaria assim com um amigo.
- Questione as comparações. Nas redes sociais, você vê o recorte que as pessoas escolhem mostrar. Diminuir o tempo de uso ou deixar de seguir perfis que despertam comparação já ajuda.
- Reconheça o que você faz bem. Anote no fim do dia algo que você fez, aprendeu ou enfrentou. Parece simples, e com o tempo muda o foco da atenção.
- Pratique colocar limites em situações pequenas. Dizer não a um pedido simples é um treino para situações maiores.
- Cuide do corpo como forma de respeito, com sono, alimentação e movimento, num ritmo possível para você.
- Aproxime-se de pessoas que te tratam bem. Relações respeitosas ajudam a construir uma nova imagem de si.
- Faça coisas só pelo prazer de fazer.
Quando a autoestima baixa tem raízes antigas, a terapia ajuda a ir mais fundo.
Como a terapia ajuda na autoestima?
Na terapia, a pessoa entende de onde vem a voz crítica, de quem ela aprendeu aquela forma de se tratar e em que situações essa voz aparece com mais força. A partir disso, fica possível construir uma relação mais gentil consigo mesma.
Na psicologia junguiana, esse trabalho passa pelos complexos, conjuntos de emoções e memórias que reagem forte quando tocados. O complexo de inferioridade, por exemplo, pode fazer uma pessoa competente se sentir pequena diante de qualquer crítica. Passa também pela persona, a imagem que mostramos aos outros, que muitas vezes é construída para agradar e esconde quem a pessoa é. E passa pela sombra, que guarda tanto aspectos difíceis quanto qualidades que a pessoa nunca se permitiu reconhecer.
Com o tempo, a autoestima passa a se apoiar em um contato mais verdadeiro com quem a pessoa é, um movimento que faz parte do que Jung chamou de individuação. Quando a sensação de não ser suficiente vem junto com um vazio maior, o texto sobre falta de sentido na vida aprofunda essa conversa.
Quando procurar um psicólogo?
Vale buscar terapia quando:
- a autocrítica é constante e causa sofrimento;
- o medo de errar ou de ser rejeitado te impede de tentar coisas importantes;
- você se mantém em relações que te fazem mal;
- a insegurança atrapalha o trabalho, os estudos ou a vida afetiva;
- a baixa autoestima vem junto com ansiedade, tristeza persistente ou isolamento.
Perguntas frequentes sobre autoestima baixa
Dá para melhorar a autoestima na vida adulta?
Sim. A autoestima se transforma ao longo da vida, a partir de novas experiências, relações e do autoconhecimento.
Autoestima baixa é doença?
A autoestima baixa é um aspecto da forma como a pessoa se vê. Ela pode estar associada a quadros como depressão e ansiedade, que precisam de avaliação profissional.
Quanto tempo de terapia leva para melhorar a autoestima?
Varia para cada pessoa, conforme a história e o que está envolvido. Muitas pessoas percebem mudanças na forma de se tratar já nos primeiros meses de acompanhamento regular.
Posso fazer terapia para autoestima online?
Sim. Eu atendo por chamada de vídeo e explico como funciona no texto sobre terapia online.
Quer cuidar da forma como você se vê?
Eu atendo adultos de todo o Brasil e brasileiros que moram fora, por chamada de vídeo, pela abordagem junguiana. Se você quer começar esse trabalho, me chame no WhatsApp. Conheça mais sobre o meu trabalho na página inicial.